sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PSICOPEDAGOGIA E HUMANIZAÇÃO

Os professores não são valorizados socialmente como merecem, não estão nos noticiários da TV, vivem no anonimato da sala de aula, mas são os únicos que tem o poder de causar uma revolução social. Com uma das mãos eles escrevem na lousa, com a outra, movem o mundo, pois trabalham com a maior riqueza da sociedade: a juventude. Cada aluno é um diamante que bem lapidado, brilhará para sempre. (Cury, 2006 p.91)
Façamos muito mais

Muito mais abraçar
Muito mais cuidar
Muito mais humanizar

Muito mais fazer
Muito mais aprender
Muito mais acolher

Muito mais sorrir
Muito mais florir
Muito mais construir

Muito mais amor
Muito mais calor
Muito mais sabor.

Acreditemos enfim, de que somos capazes de através de uma educação humanizadora transformar o mundo para que todos possam SER


O psicopedagogo, pela sua própria formação é o profissional capaz de através de sua atuação, desempenhar um papel significativo no processo educativo para a construção da humanização. Desenvolver estratégias de trabalho, a fim de refletir, estudar, compreender e sinérgicamente construir novas formas de fazer educação junto a toda a comunidade escolar.
Durante muitos anos, em todas as esferas e instituições vem se falando sobre “qualidade”, discutindo e implementando estratégias que priorizem este fazer. Empresas de todo o mundo se organizam e reconhecem que este é um investimento que vale a pena, se quiserem continuar no mercado.
As empresas anunciam esta qualidade, beneficiando a população com “ofertas imperdíveis”, utilizando-se de termos como “a felicidade chegou”. Esse mesmo sistema centrado na acumulação crescente do capital, a corrida à cultura do consumismo, e a acirrada competição mercadológica gera infelicidade, insegurança, violência, desequilíbrios na natureza, na sociedade e na vida humana.
Doenças de origem psicológica, desequilíbrios afetivos e de relacionamento, isolamento e individualismo, crises existenciais convivem lado a lado com grandes conquistas na área do conhecimento e da tecnologia. E continuamos na corrida angustiante cada vez maior por mais qualidade. 
Para que? Para quem? 
Freqüentemente me faço tais perguntas: Quem somos? O que somos? O que você vê? –
- Olhe para as pessoas ao nosso redor. O que você vê?.
Pessoas de ternos, mulheres bem vestidas, jovens exibindo seus tênis, adolescentes arrumando o cabelo, enfim, pessoas transitando.
-A maioria dessas pessoas vive porque respiram. Não perguntam mais “quem são”, “o que são” Estão entorpecidos pelo sistema. O ser humano atual não vive o grito da sua crise. Cala a sua angústia porque tem medo de se perder num emaranhado de dúvidas sobre seu próprio ser. No começo do século XX , a ciência prometeu ser o deus do Homo sapiens e responder a essas perguntas. Mas ela nos traiu. Nos traiu porque não desvendou quem somos, e continuamos a ser um enigma, uma gota que por um instante aparece e logo se dissipa no palco da existência. Segundo, apesar do salto na tecnologia, ela não resolveu os problemas fundamentais da humanidade: a violência, a fome, a discriminação a intolerância e as misérias psíquicas não foram debeladas. A ciência é um produto do ser humano. Use-a e não deixa ser usado por ela.( Cury ,2005 p. 80 ) 

A dinâmica da vida nos surpreende a todo o momento. Já não temos certeza nem do que nos aguarda amanhã. E ouvem-se as expressões como: – “Vamos vivendo, tocando o barco”.E com a graça de Deus, o sol nascerá outra vez.
Mas a qualidade referenciada pelo tipo de sociedade mercadológica, e percebida exclusivamente no aspecto material e técnico, das descobertas científicas, das inovações tecnológicas, baseada na competição, torna-se uma sociedade desumana e excludente. 
Parece ainda distante a percepção de que o ser humano, em sua riqueza e complexidade, possui necessidades interpessoais que vão além das que podem ser satisfeitas pelo desenvolvimento das ciências e pela atraente qualidade técnica de produtos e de serviços.
O ser humano, como um ser de relações, está com dificuldades de encontrar-se consigo mesmo, e com mais dificuldade ainda, com seus semelhantes, apesar de todas as possibilidades de informações, de conectar-se com o mundo inteiro, caminha perdido, sentindo fortes pressões de todos os lados, da família, no e do ambiente de trabalho, nas competitividades, nas oportunidades de trabalho.Em tudo isso, prevalece à negação do outro, o fechamento das possibilidades de partilha e de solidariedade.
Percebe-se que nas relações humanas está um grande “vácuo” que necessita ser preenchido, corrigido, recriado e transformado em prol de uma humanidade mais feliz, tanto individualmente, como socialmente. Há uma busca para muitas perguntas, e que talvez até saiba-se as respostas, mas muito difíceis de colocá-las em ação. Talvez esteja faltando o que Maturana (1999) conceitua de simbiose, uma convivência que se funda e se constitui na aceitação e na confiança mútuos, criando assim um mundo comum, e que Assmann (2001) complementa ao afirmar de que o futuro da espécie humana dependerá da evolução de sua adaptabilidade e do desenvolvimento de suas capacidades simbióticas. 
O mesmo autor coloca em ênfase a emoção como propulsora das ações em que constituem as relações que na vida cotidiana chamamos de relações sociais. E o sentimento que se manifesta é o amor, sentimento puramente humano, relacionado a ações que constituem o que chamamos de social, são as de aceitação do outro como um legítimo outro na convivência. E, portanto, na confiança e no respeito.
Portanto, nem todas as relações humanas são do mesmo tipo, pelo simples fato de que vivemos nossos encontros sob distintas emoções, que constituem diferentes domínios de ações. Por exemplo, as relações de trabalho não são relações sociais, porque se caracterizam por experiências de poder e obediência. Relações de hierarquia também não são relações sociais, porque são papéis de general e a ordenança, e, portanto são situações antagônicas.(Maturana. 1999)
Os seres humanos não somos o tempo todo sociais, somente o somos na dinâmica das relações de aceitação mútua. É justamente porque as relações de trabalho não são relações sociais que são necessárias leis que as regulem. No marco das relações sociais não cabem os sistemas legais, porque as relações humanas se dão na aceitação mútua, e, portanto, no respeito mútuo. Os sistemas legais se constituem como mecanismos de coordenação de conduta entre pessoas que não constituem sistemas sociais.(Maturana, 1999).
Se as relações de trabalho e de mercado não são relações sociais, pode-se perceber que também no interior da escola as relações interpessoais são contraditórias, tanto no aspecto ideológico, como na prática. Entende-se que a instituição Escola está inserida numa estrutura social como a do capitalismo, sofre a influência decisiva, oriunda dos conflitos dos meios de produção. Sendo assim, a escola corre o risco de perpetuar esses interesses. Aí, há necessidade dos educadores terem clareza a quem “servir”: a uma sociedade competitiva e excludente, ou a uma sociedade onde todos possam ser, e possam construir-se como sujeitos.
Essa anti-realidade afeta a vida humana naquilo que ela possui de mais fundamental: o cuidado e a compaixão. No cuidado se encontra o ethos fundamental do humano. Quer dizer, no cuidado identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações um reto agir.
O tipo de sociedade do conhecimento e da comunicação que temos desenvolvido nas últimas décadas ameaça a essência humana. Na medida em que avança tecnologicamente na produção e serviço de bens materiais, será que não produz mais empobrecidos e excluídos? (Boff, 2000).
E Boff ainda diz: A relação com a realidade concreta, com seus cheiros, cores, frios, calores, pesos, passa a ser virtual, porque o pé não sente mais o macio da grama verde. A mão não pega mais um punhado de terra. O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, e criando, contraditoriamente cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas. 
E coloca em ênfase, que os sintomas da crise civilizacional, aparece sob o fenômeno do descuido, do descaso e do abandono.
- Há um descuido pela vida inocente das crianças, usadas no trabalho infantil, na produção para o mercado mundial. São pequenos escravos a quem se nega à infância, a inocência e o sonho.
- Há um descuido manifesto pelo destino dos pobres e marginalizados da humanidade, flagelados pela fome crônica, e por doenças outrora erradicadas, e atualmente retornando com redobrada virulência.
- Há um descaso imenso pela sorte dos desempregados e aposentados, de serem explorados a preço de um salário mínimo e de alguma seguridade social.
- Há um descuido e um abandono dos sonhos de generosidade, agravados pela hegemonia do neoliberalismo com o individualismo e a exaltação da propriedade privada. Menospreza-se a tradição da solidariedade. Faz-se pouco dos ideais de liberdade e de dignidade para todos os seres humanos.
- Há um descuido crescente da sociedade nas cidades. A maioria das pessoas sentem-se desenraizados culturalmente e alienados socialmente.
- Há um descuido pela dimensão espiritual do ser humano, pelo espírito de gentileza que cultiva a lógica do coração, a inteligência emocional.
- Há um descuido e descaso pela coisa pública. Os investimentos sociais em seguridade alimentar, em saúde, em moradia e educação, são insuficientes. Há um descuido vergonhoso pelo nível moral da vida pública marcada pela corrupção e pelo jogo explícito de poder de grupos e interesses corporativos.
- Há um descuido na salvaguarda do planeta Terra. Solos são envenenados, ares são contaminados, águas são poluídas, florestas dizimadas, espécies de seres vivos exterminadas; um manto de injustiça e de violência pesa sobre dois terços da humanidade, pondo assim em risco a continuidade do experimento da espécie homo sapiens e demens.
- Há descuido generalizado na forma de organizar a habitação, pensada para famílias minúsculas, obrigadas a viver em cômodos insalubres. Milhões são condenados a viver em favelas, sem qualquer qualidade de vida. Recorre-se freqüentemente à violência para resolver conflitos interpessoais e institucionais, normalmente superáveis mediante o diálogo e a mútua compreensão.
E voltando à ênfase para a Educação. O que entendemos por qualidade na Educação? Abrindo um parêntese – Estamos em época de escolha de novos representantes políticos para a nação. O que eles, em suas campanhas e projetos anunciam sobre qualidade para a Educação? “O que” e “como fazer” para que todos possam ser? Quais as contribuições e projetos temos e desejamos acrescentar à vida dos estudantes, para que cada um possa construir seu projeto de vida, baseado em princípios de uma visão humana de qualidade, quando hoje se educa para a competitividade?
Aí está a grande lacuna da educação, ao priorizar um modelo tecnicista, disciplinar, que trabalha apenas os conteúdos específicos, que ao avaliar exige respostas pré-determinadas, e o que o aluno deve fazer é devolver os conteúdos em troca de uma nota somatória, e esses conteúdos trabalhados sem interconectá-los com a vida. 
Pensa-se que está nesta abordagem a grande sacada para que os estudantes possam perceber a aprendizagem como significativa, porque ampliaria para dimensões mais profundas do ser humano.
Paulo Freire, no livro Pedagogia da Autonomia (2002), adverte-nos para a necessidade de assumirmos uma postura vigilante contra todas as práticas de desumanização, denunciando o mal estar que vem sendo produzido pela ética do mercado, Freire anuncia a solidariedade, enquanto compromisso histórico, dos homens, como uma das formas de luta capazes de promover a “ética universal do ser humano”.
A prática dos educadores deve ser muito mais do que puramente treinar o educando, na maneira que os professores lidam com os conteúdos que estão ensinando, e o preparo científico dos mesmos, deve coincidir com sua retidão ética. Quando se fala em ética, deve-se incorporá-la como um ato que vai além do mundo próximo, mas como algo universal. Exemplo: Uma tragédia, ou uma guerra, se não tenho imaginação para incorporar aquelas pessoas que sofrem, no meu mundo, como preocupar - me com o que lhes acontece como conseqüência.
Quando “falo da ética universal do ser humano estou falando da ética enquanto marca da natureza humana, enquanto algo absolutamente indispensável à convivência humana” (Freire, 2002, p.19).
O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe em uma posição em face do mundo que não é a de quem não tem a ver nada com ele. Minha presença no mundo não é a de quem se adapta, mas se insere nele. É a posição de quem luta para não ser objeto, mas sujeito também da História. Nos faz seres responsáveis. É um movimento permanente de busca, de inconclusão. Não é possível perceber sua presença no mundo, sem sonhar, sem cantar, sem musicar, sem pintar, sem cuidar da terra, das águas, sem usar as mãos, sem esculpir, sem filosofar, sem fazer ciência, ou teologia, sem aprender, sem ensinar, sem idéias de formação, sem politizar (Freire, 2002).
Segundo Meguerditchian, (2006) comentando sobre um trabalho de doutorado, que tinha como objetivo avaliar a formação da personalidade moral de adolescentes, que estariam cursando a terceira série do ensino médio, momento este da vida que decisões complicadas da vida são tomadas. A pergunta da pesquisa era: Que vida quero viver? Ao pensarem sobre o tema, apenas 15% , incluíram algum tipo de inserção solidária em seus projetos. Mesmo assim, a maior parte deles indicou tal tendência apenas em situações de identificação direta com aqueles que seriam ajudados, família, por exemplo.
As respostas preocupam, porque isso remete a uma pergunta: Que sociedade futura teremos, se esses jovens indicam uma imaturidade egoísta. 
“O isolamento não é um estado normal dos seres vivos” (Assmann, 1999 p.177), e portanto, o futuro da espécie humana dependerá da evolução de sua adaptabilidade e do desenvolvimento das suas capacidades simbióticas.Apropriar-se de novos paradigmas sobre convivência social se constitui necessidade básica para a garantia da sobrevivência da espécie humana. Assim como os ecossistemas são simbióticos, também o homem deverá se construir de forma mais humanitária, buscando na sua convivência social a aceitação do outro, no respeito e na confiança mútua, no cooperar e na organização da sua vida e da vida do mundo comum.
Para que a escola realmente cumpra a sua função social, que se preocupa, ao educar, com um mundo melhor e mais bonito, deverá ensinar valores, saberes e atitudes que promovam a humanização. Essa forma de educação acontece num processo de reflexão, ação, reflexão.
Diante de tais reflexões sobre humanização, mercado tecnicista, realidades, compromissos éticos, relações humanas, contradições, mundo competitivo, globalizado e individualista, exclusão...pode parecer utopia e é, falar dos sonhos, falar em afabilidade, mansidão, ternura, amor, cuidado,mesmo porque, essas atitudes não têm sido o principal motor do cotidiano das instituições e das empresas. Isso é fato.
Portanto, o que movimenta cada um de nós é a constataçaõ de que é cada vez mais exigido o desenvolver de outros olhares, competências e atitudes no trato com as pessoas.
Diante do mundo e da realidade cada vez mais imprevisível, é preciso pensar diferente, é preciso perceber esse complexo movimento de incertezas, indagações. É dar outro significado às nossas práticas, às nossas formas de perceber o mundo, a sociedade e os seres humanos.
Acredita-se que nesta questão que entra a intervenção e o papel de psicopedagogo.
Segundo vários autores como Paulo Freire (2002), Assmann (2005), Bof (2000), Cury (2006) e outros insistem para a importância do ser humano na sua essência.- o que movimenta o humano são as emoções, os sentimentos, as atitudes positivas, os desejos, que remetem à cobrança da satisfação das necessidades físicas e afetivas. Por isso, amor, o saber cuidar, o interagir, a afabilidade, a mansidão, a doçura, a belezura, ética, paz, cidadania, direitos humanos, resolução de conflitos, felicidade são conceitos inerentes ao que é humano.
O que se conclui, que o processo de humanização está diretamente ligada à formação do “sujeito”. E como já vimos que o processo de humanização passa também pelo viés da emoção, o espaço escolar é decisivamente o lugar em que, através do processo pedagógico, o aluno vivencie as experiências de aprendizagens “como algo que faz sentido e é humanamente gostoso”.(Assmann, 1996, p.18).

O psicopedagogo é o profissional que deve ter a capacidade de ver um problema sob diversos ângulos, de ler o que não está escrito, de saber fazer as análises, e estar comprometido coletivamente com a sua ação
Estar coletivamente comprometido entende-se de que é preciso pensar no coletivo, construir coletivamente que sujeito queremos formar, conduzir amorosamente a prática, ter segurança da autoridade profissional

O cuidado serve de crítica à nossa civilização agonizante e também de princípio inspirador de um novo paradigma de convivialidade.[...].Sonhamos com um mundo ainda por vir, onde não vamos mais precisar de aparelhos eletrônicos com seres virtuais para superar nossa solidão e realizar nossa essência humana de cuidado e de gentileza. Sonhamos com uma sociedade mundializada, na grande casa comum, a Terra, onde os valores estruturantes se construirão ao redor do cuidado com as pessoas, sobretudo com diferentes culturalmente, com os penalizados pela natureza ou pela história, cuidado com os espoliados e excluídos, as crianças, os velhos, cuidado com as plantas, os animais, as paisagens, e especialmente com a nossa grande e generosa Mãe, a Terra (Boff, 2000. P. 13).

Sete de Setembro- A avenida Getúlio Dorneles Vargas, de Chapecó, SC, por algumas horas, deixou de ser palco de ruídos e de sons sobre marketing, quase que exclusivamente voltada a promoções do comércio, para ceder espaço das mais ricas e variadas ,manifestações da arte, da cultura, do lazer, do conhecimentos, da explicitação dos fundamentos teóricos e filosóficos norteadores da proposta pedagógica das escolas públicas e privadas, como também, de todas as instituições filantrópicas e sociais que desfilaram, de protestos, como, “ O Grito dos Excluídos”. A missigenação dos povos e raças que formaram a cultura e a colonização desta região, programas voltados à saúde e à educação, etc. Tudo, em perfeita sintonia.
O povo estava na rua, apreciando, aplaudindo, tomando sol e chimarrão, pairando no ar uma energia positiva, alegre, de cores, de beleza, movimento. Ficou bonito até, ao”se ver a banda passar”, no seu uniforme de militar.
Esse sentimento, concretamente e naturalmente manifestado, talvez aproxima-se mais ou menos no que se deseja explicitar neste estudo.
Que , o dia dedicado à comemoração da independência do Brasil, do jugo de Portugal, pudesse, de fato, a partir desta experiência, transformar a educação deste nosso belo e rico país, e seu povo.

 
Autor deste artigo: Lucia Kasper Winkelmann - participante desde Sáb, 10 de Novembro de 2007.

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