quinta-feira, 21 de abril de 2016

Como detectar os problemas de aprendizagem?

Durante algumas semanas conversamos sobre problemas de aprendizagem. Mostramos como eles se apresentam e que dificuldades trazem. Mas, fica uma questão... Será que dá para intervir ou ao menos notá-los antes de eles realmente estejam dificultando (e muito) a vida escolar e social de nossas crianças?

Pais e professores atentos realmente notam que algo está diferente com seus filhos e alunos, mas o problema pode passar desapercebido, pois muitas vezes os professores tem receio de serem mal interpretados pelos pais,(sendo acusados de perseguição ou mesmo de criticar a criança), pelo fato de terem salas absolutamente lotadas ou pela falta de conhecimento destas problemáticas. Pelo lado dos pais, é difícil enxergar que seu filhote, a melhor parte de si mesmo, pode ter alguma dificuldade, além do mais, o trabalho, trânsito e outras atividades cotidianas tendem a tomar muito o tempo dos pais, que acabam por não perceber as mudanças no comportamento da criançada  o que pode demonstrar que uma dificuldade está se instalando.

Muitas vezes esperamos tempo demais para que a criança ‘tenha o seu tempo” e nesta caminhada, aí se vão 1,2 ou 3 anos de dificuldades escolares até que o aluno seja levado para a avaliação de um profissional especializado. Este tempo de demora, ataca fortemente a autoestima da criança, aumenta a frustração, a envergonha diante de colegas de classe (e muitas vezes até diante de irmãos, primos e outros familiares), o que piora mais e mais sua trajetória escolar, tornando a reabilitação mais demorada e custosa.

Desde a mais tenra infância é possível notar alguns déficits que, mais tarde, podem prejudicar o andamento escolar. A criança falou, andou ou compreendeu as conversas mais tarde do que todas as outras que você conhece? Na pré escola, tem dificuldade em discriminar letras, cores, tamanhos, entre outras atividades? E sua coordenação motora, é boa? Corre, chuta, pula igual seus amiguinhos?  Todos estes aspectos não são “itens de desespero”, já que há um período onde se espera que as crianças atinjam competência para estas atividades, mas não se pode deixar passar muito tempo.



Há também um complicador. Nem sempre as crianças que tem algum problema de aprendizagem mostram insucesso em todas as atividades, ou seja, pode contar os carrinhos otimamente bem, mas não consegue escrever, pinta que é uma beleza, mas a leitura é um caos. Esta inconsistência pode se apresentar até numa mesma matéria. A criança pode amar Geografia em uma semana e na outra odiar pois se antes era avaliado oralmente, terá que expor seus conhecimentos no papel. Tudo isto pode ser mais dificultado pelo fato de pensarmos que só é necessário que a criança “se esforce mais” que tudo voltará ao normal.

Outras dicas poderão ajudar a pais e professores a olharem com mais carinho e atenção para nossas crianças e notarem se algum problema de aprendizagem está a rondando:

*Aquela criança que sempre amou ir para o colégio passa a reclamar de dor de cabeça, dores de barriga, gripes, tudo para não freqüentar mais a escola ( e um adendo – estas queixas muitas vezes não são mentiras ou frescuras, a criança, pela ansiedade de ser criticada ou de não entender a matéria apresenta estes sintomas mesmo).
*Seu filho sempre contava com alegria o dia na escola e agora só responde monossilabicamente como foram suas atividades?  Fique atento.
*A professora sempre enviava muitas tarefas diárias e agora a criança diz que as fez todas na escola?
*A criança reclama muito da dificuldade que encontra ao fazer as tarefas ou vai deixando de lado a atividade de sentar e fazer a lição para se atentar a qualquer outra coisa?
*Começa a se queixar da escola, os amigos não são mais legais, a professora é chata, a sala de aula é quente... Qualquer coisa é motivo de reclamação.
* A criança esconde cadernos ou as atividades que executa na escola, com vergonha de explicitar seu ruim desempenho.

Obviamente estes são pontos de atenção, vale a pena serem investigados, mas inicialmente não devem gerar preocupação extrema. Quem tem filhos adolescentes principalmente sabe o quanto estes comportamentos são comuns nesta faixa etária, mas nas crianças menores devem ser olhados com um pouquinho mais de atenção. Os pais tendem a achar que os filhos adolescentes tão tem problemas na escola, e sim, suas dificuldades apresentadas são apenas fruto de preguiça, outros interesses ou falta de emprenho. Não é bem assim, se achar que é necessária uma boa conversa ou uma avaliação por um profissional especializado, entre em contato com a escola e com seu filho.




Como sempre enfatizo, a escola é o segundo lar de nossas crianças. Professores e coordenadores em sua maioria querem é ajudar a entender o que se passa com seus alunos. Vá às reuniões, ouça professores, amiguinhos, outros pais e seu próprio filho. Eles poderão dar a você pistas que algo não vai bem e assim você poderá ajudá-lo de forma rápida e eficaz.

Por Vivian Camila

CURTA A PÁGINA DA NOSSA COLABORADORA E ACOMPANHE SEU TRABALHO: Clique aqui