terça-feira, 5 de abril de 2016

O que é discalculia?

Para a maioria das pessoas o fato de “ir mal de matemática” é a coisa mais normal e aceita do mundo. Afinal aqueles que tiram boas notas na matéria ou ainda gostam de estudá-la são considerados os “nerds “ou  “diferentões”.

Esta idéia é tão comum, mas tão comum, que, muitas vezes os próprios professores da matéria ficam resignados e não buscam outras alternativas de ensinar esta ciência às crianças, de uma forma que elas não apenas aprendam seus fundamentos bem como interessem-se por ela.Eu mesma, quando adolescente ou criança pensava... “mas para que vou usar  hipotenusa, cateto, área de um poliedro ou ainda decorar fórmulas. E as tarefas de álgebra.. Pra quê???

As crianças brasileiras já possuem uma defasagem enorme em leitura e escrita e quando falamos em matérias da área de exatas, como matemática e física, os resultados são alarmantes.  Dados coletados em 2015 do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em Educação Anísio Teixeira) indicam que, no quesito matemática,  57% de nossas crianças de escolas públicas atingem o nível 1 e 2 de aprendizagem em matemática, resultados estes considerados inaceitáveis. Elas conseguem apenas ver horas em relógios digitais ou fazer contas que usem os numerais até 20.

 Os piores resultados encontram –se nos estados do Amapá e Pará, com 82,86% e 81,43% de crianças com índices abaixo do esperado. E isso, além de alarmante é triste, muito triste. A maioria destas crianças não possui discalculia. Dados estimam que de 3 a 6 % de nossas crianças sofrem deste mal, caracterizado pela inabilidade de fazer cálculos, independentemente de sua inteligência normal, oportunidades de estudar, de se encontrarem equilibradas psiquicamente ou serem motivadas a estudarem a matéria.

Para se ter uma idéia, o ato de calcular envolve muitos processos cerebrais, como atenção, memória, discriminação visual, representação números e símbolos...E pense só, como seria nosso mundo sem os números? Saberíamos telefones de parentes? Como calcularíamos o tempo de chegar a um compromisso ou cozinhar algo? Seríamos enganados ao receber trocos? E a ciência, como se desenvolveria sem os números das pesquisas apoiarem as decisões? Como casas seriam construídas e por aí vai... Olhe aí, como a matemática é importante em nossas vidas!

Mas o que uma criança com discalculia demonstra? Estes comportamentos nos darão algumas dicas:
*Dificuldades em entender maior ou menor;
*Problemas em realizar cálculos matemáticos;
*Confunde-se com números ou os escreve de forma invertida;
*Não discrimina os sinais dos cálculos como +, - , x e dividir;
*Demonstra dificuldade em seguir sequências das coisas, o que vem primeiro, depois;
*Possui  pouca habilidade em localizar esquerda, direita, em cima, em baixo, ou ainda entender  uma localização como a 300 metros e tem dificuldade de entender que 1 quilo corresponde a  o dobro de 500 gramas;
*Demonstra dificuldade em ler números com muitos dígitos como milhares , ex.: leia 1359.
*Na hora de armar a conta para fazer o cálculo não consegue executar a tarefa;





Esta desordem neurológica deve ser avaliada e tratada assim que os primeiros sinais ocorrerem, para que a criança não vivencie a sensação de fracasso durante toda sua vida escolar além das dificuldades inerentes  para entendimento da matéria, o que muitas vezes pode levar à desistência escolar, bulliyng e auto estima rebaixada.

A avaliação é feita por equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogo, neurologista infantil, fonoaudiologista entre outros profissionais. Ainda não há exames de imagem ou laboratoriais que comprovem ou não esta problemática, por isso a validação ou não da hipótese que a criança tenha discalculia é feita através da observação de seus comportamentos diante de conceitos matemáticos.


Geralmente estas dificuldades já aparecem nos primeiros anos de escolarização.  Professor, fique atento à criançada.  Nem todas as crianças possuem discalculia, mas apresentam dificuldades em aprender conceitos que o ajudarão no processo de aprendizagem da matéria. Use e abuse de formas diferentes de trabalhá-los  para que o entendimento chegue ao maior número de alunos possível. Aos pais sejam próximos a escola das crianças. Eles poderão ajudar. Em caso de dúvida, leve  seu pimpolho para um profissional de saúde de sua confiança.

Por Vivian Camila

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