quinta-feira, 28 de abril de 2016

Depressão e rendimento escolar

Para começar nosso bate papo, vamos falar um pouco sobre  depressão na infância e na adolescência. Você pode pensar, “Mas o quê? Criança lá tem preocupação para ter depressão? E o adolescente? É chato por natureza, não é depressivo, não. Isso é frescura.”

Para que as informações sejam baseadas em dados científicos, um estudo da Unifesp (Universidade Federal de SP) entitulado Segundo Levantamento de álcool e drogas indicou que, no Brasil 21% dos jovens entre 10 e 19 anos apresentam sintomas depressivos. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que entre as pessoas de 10 a 19 anos esta seja a principal causa e doenças em nossos jovens.
Outros estudos indicam que 77% dos adultos que tem depressão apresentavam os sinais na infância e na adolescência. Segundo dados das pesquisadoras Sheila Abramovitch e Lilian O e C de Aragão, a prevalência de depressão no pré-púbere (9 a 12 anos) é de 2% e no adolescente de 6%. E pasme! Uma depressão não tratada pode ser a causa de um suicídio (que é a terceira causa de morte nos jovens de 15 a 19 anos, segundo a OMS).

Mas qual são os sintomas que meu filho pode apresentar? Vamos citar alguns deles:
*Hostilidade/agressividade
*falta de vontade de fazer atividades que antes gostava
*angústia/desesperança
*alteração de sono (para mais ou menos)
*alteração de apetite (para mais ou menos)
*apatia
*reclamação de dores e cansaço
*sentimento de culpa
*desatenção
*pessimismo
*angústia
*autoimagem negativa



            Você pode pensar, mas meu filho adolescente é exatamente assim... Obviamente a adolescência é uma época de mudanças e descobertas que nem sempre são tão fáceis . O adolescente tem ganhos de responsabilidades, perde seu corpo conhecido, perde a imagem de super-heróis  que tinha de seus pais, conhece um grande amor e o perde também..., entende que o mundo não é tão bonito assim e por aí vai.


Sem contar as mudanças hormonais que ocorrem nesta fase. Portanto alguns momentos mais depressivos são de certa forma até esperados, mas se durarem por muito tempo, estiverem presentes em quase todos os ambientes que o jovem se encontre e perdurem por muitos dias na semana se faz necessária uma avaliação de um psicólogo ou psiquiatra. Portanto, os pais e professores devem atentar-se.

            A depressão é uma doença de cunho multifatorial, mas alguns acontecimentos podem ser vistos como fatores de risco, entre eles:
*Caso anterior de depressão na família
*pouco suporte familiar e social
*estresse severo
*outras perdas (separação dos pais, mudanças de escola, de residência)
*doenças (em si ou na família)
*dificuldades psicossociais crônicas, como o bullying por exemplo.


            Mas o que tudo isto pode intervir no desempenho escolar?  Um jovem ou criança com depressão apresenta alterações na atenção, na memória, e nas funções executivas (as quais usamos para entre outras coisas, planejar as atividades). Isso por si só já prejudicaria - e bem – as tarefas na escola. Some-se a isto a autoestima lá embaixo, o que pode fazer com que fique mais distante dos colegas (quando estes o ridicularizam...), além dos pensamentos e coração que estão nublados por sentimentos de tristeza...  Quem passando por uma situação destas consegue aprender Português, Matemática, História, Geografia ou qualquer outra coisa?

            Deprimido, ele pode se afastar da escola, isolar-se ainda mais dos amigos, abusar de substâncias lícitas e ilícitas (cigarro, álcool, drogas), e não demonstrará interesse de participar de atividades escolares ou sociais. E isto é extremamente prejudicial!

            Portanto, a depressão na infância e adolescência é séria e pode sim comprometer muito o desempenho de nossas crianças na escola e prejudicar muito o futuro delas. Acompanhe sua criança e adolescente na escola. Vá às reuniões, saiba as suas notas, observe como se relaciona com os colegas, se faz as tarefas e de que forma as executa, converse com professores, coordenadores , colegas da criança e com os pais. Envolva-se no desenvolvimento escolar de seu filho. Vale a pena este cuidado.

Por Vivian Camila

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