sexta-feira, 16 de novembro de 2012

TEORIA DO PSICODRAMA


"Drama" significa "ação" em grego. Psicodrama pode ser definido como uma via de investigação da alma humana mediante a ação. É um método de pesquisa e intervenção nas relações interpessoais, nos grupos, entre grupos ou de uma pessoa consigo mesma.
Na década de 1920, em Viena, o Psiquatra Jacob Levi Moreno cria o Psicodrama. O Psicodrama é resultante da união de seu trabalho clínico de consultório com sua atividade como diretor do que ele mesmo denominou de Teatro Espontâneo, que consiste na representação de peças teatrais sem texto prévio. Ou seja, a partir de um tema, ou de um ou mais personagens imaginados, os atores espontâneos que emergem da platéia vão escrevendo uma peça à medida que a encenam.
A partir dessa descoberta desenvolve um método de psicoterapia que tem como ação central a dramatização espontânea. Desenvolve também uma teoria psicológica.
De uma forma simples, dizemos que o psicodrama se baseia no jogo de faz de conta que surge naturalmente no ser humano. A natureza oferece à espécie humana a capacidade de realizar ações simbólicas. Normalmente a criança, a partir dos 4 ou 5 anos de idade, resolve muitas de suas dificuldades e correspondentes tensões emocionais realizando sessões de faz de conta. O professor quando trabalha os contos de fadas na sala de aula, possibilita que seus alunos resolvam suas possíveis dificuldades.
Atualmente as técnicas do Psicodrama, tem sido amplamente utilizado na educação, nas empresas, nos hospitais, na clínica, nas comunidades.
As pessoas usam o termo Psicodrama, se referindo à Socionômia. Ciência das leis sociais e das relações, a socionômia é caracterizada fundamentalmente por seu foco na intersecção do mundo subjetivo, psicológico e do mundo objetivo, social, contextualizando o indivíduo em relação às suas circunstâncias. Divide-se em três ramos: a Sociometria, a Sociodinâmica e a Sociatria, que guardam em comum a ação dramática como recurso para facilitar a expressão da realidade implícita nas relações interpessoais ou para a investigação e reflexão sobre determinado tema.
"O Psicodrama, ademais, é uma técnica de psicoterapia direta, isto é, nela o processo terapêutico se realiza no aqui e agora, com todos os elementos emocionais constitutivos da situação patológica que se expressam através dos personagens e circunstâncias concorrentes".
(J.G. Rojas-Bermudez)
O psicodrama e suas técnicas tem por objetivo colocar o homem livre para criar espontaneamente, sem prejuízo e sem sofrimentos. A função da terapia é devolver ao indivíduo sua espontaneidade; esta tem grande valor terapêutico, logo a doença estaria numa insuficiência da espontaneidade.
"Historicamente, o Psicodrama representa o ponto decisivo da passagem do tratamento do indivíduo isolado para o tratamento do indivíduo com métodos verbais para o tratamento com métodos de ação." (J.L. Moreno).
Dividiu-se a atividade psicodramática em duas áreas: a área psicoterapêutica e a área pedagógica.
Na área terapêutica o Psicodrama demonstra "ser um valioso método para evidenciar as defesas conscientes e inconscientes do paciente bem como suas condutas e quadros patológicos" (J.G. Rojas-Bermudez).
Ainda na área da psicoterapia o Psicodrama tem as seguintes formas: grupo formado por clientes que procuram um psicoterapeuta (que normalmente deve ser um médico psiquiatra ou um psicólogo clínico) que é quem organiza o grupo, de acordo com certos critérios clínicos; grupo de pacientes de uma instituição tipo hospitalar-dia, ambulatórios etc; grupo familiar (sociodrama familiar); Psicodrama público, que se constitui de um grupo formado a partir de um convite público para participar de uma única sessão.
Na área pedagógica o Psicodrama pode tomar as mais variadas formas, de acordo com a finalidade: ensino; orientação pedagógica e educacional; seleção e treinamento de pessoal. As dinâmicas que surgem nos grupos permitem uma intervenção adequada no desenvolvimento de determinado papel, dependendo do contexto organizacional: empresas, escolas ou qualquer outro tipo de instituição.
O Psicodrama se iniciou no Brasil na cidade de São Paulo, na década de 60, através da psicóloga clínica e socióloga Iris Soares de Azevedo. No ano de 1968 é fundado o Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo (GEPSP), que patrocinou cursos de formação de psicodramatistas, tanto na área clínica quanto na área pedagógica. Esses cursos foram ministrados por uma equipe de psicodramatistas de Buenos Aires, pertencentes à Associacion Argentina de Psicodrama y Psicoterapia de Grupo, liderada pelo psiquiatra Jaime Guilhermo Rojas Bermudez.
O aspecto racional do ser humano tem avançado celeremente, criando um universo altamente tecnológico de rápidas transformações. Somos colocados diariamente em contato com novas realidades, que nos exigem posturas novas, sendo que na maioria das vezes conseguimos assimilá-las racionalmente, mas percebemos que nossas ações não caminham junto. Nosso aprendizado desde o início é feito através da tomada de papéis, introjetando conceitos e normas sociais que passamos a viver, inconscientemente, como naturais. Não aprendemos a questionar e tornamo-nos escravos de nossas "conservas culturais", de nossas próprias idéias. Nossa educação não prioriza a espontaneidade.
Desta forma, estamos vivendo um momento de grandes conflitos: a mulher e o homem que a sociedade nos preparou para ser, já não são os mesmos que somos cobrados de ser; a relação que estabelecemos com nossos pais, e que é a única que conhecemos, já não nos serve como modelo para lidarmos com nossos filhos; o chefe que tivemos não serve para nosso funcionário; os padrões morais, sexuais transformaram-se.
A única forma de lidar com este universo em rápida e constante transformação é a tomada de consciência de nossos valores e sentimentos (reconhecimento de si mesmo) e o desenvolvimento da percepção da realidade, para que possamos notar as mudanças ocorridas e reformular nossos conceitos, rever as normas sociais introjetadas, recuperando a espontaneidade, transformando-nos.
A modalidade de Psicodrama Aplicado, por vencer as barreiras dos consultórios, pode chegar à população onde esta se encontra: nas empresas, nas escolas, nos hospitais, como agente transformador. Surge como concretização da proposta Moreniana em seu projeto Socionômico: " Um processo terapêutico não pode ter como meta final menos do que toda a humanidade." Seus instrumentos são Role Playing e o Sociodrama. O Role Playing utilizado no desenvolvimento de papéis e o Sociodrama na construção e aprimoramento dos relacionamentos interpessoais e intergrupais, bem como na conscientização de valores culturais subjacentes tanto ao grupo em questão, quanto ao contexto social mais amplo em que está inserido. Através do Role Playing, propõe-se a trabalhar, com papéis específicos e o seu objetivo, ao contrário do treinamento, do adestramento, é de rever as normas, os conceitos, enfim, os papéis, tomados de forma acrítica e desenvolvê-los, utilizando o potencial criativo dos indivíduos. Na medida em que propicia o contato mais profundo dos seres consigo mesmos, seus valores, suas emoções, permite a identificação e elaboração dos conflitos papel-pessoa, bem como a visão crítica destes papéis, identificando seus aspectos ultrapassados e inadequados. Oferece, enfim, um desenvolvimento de papel rico e compromissado com a realidade: o participante re-cria o papel dentro de si, enriquece-se e enriquece o papel. É agente transformador, desenvolvendo a espontaneidade dos indivíduos e da cultura.
Através do Sociodrama e instrumentos sociométricos, procura ressaltar a importância da dimensão afetivo-relacional, propondo a formação de equipes de critérios sociométricos, até sua construção, acompanhando seu processo de desenvolvimento: reconhecimento de si mesmo e do outro no papel, relação a dois, a três, circularização. Ainda através do Sociodrama, busca a conscientização da cultura institucional, elaborando os possíveis conflitos e necessidades de mudanças.
O Psicodrama é facilitador da manifestação das idéias, dos conflitos sobre um tema, dos dilemas morais, impedimentos e possibilidades de expressão em determinada situação. Fundamentado na teoria do momento e no princípio da espontaneidade, promove a participação livre de todos e estimula a criatividade na produção dramática e na catarse ativa.
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